em um quarto
quadro a quadro vinte e quatro quadros por segundo
a menina corre à sala, senta e assiste
a cena que corre recorde mundial
onde está a menina?
olhar vidrado na tela a procura do invisível
o olho está nu
a câmara escura
a sala escura
cavidade negra noite sem lua
espectador à espera da luz de estrelas e astros
signos de sonhos e fantasias
vividas em histórias fantásticas
melodias visuais de sons cegos
olhos seguem na velocidade do vácuo
oco oca ecoa
pip - poc
pula e pega o instante inesquecível
Há vida atrás da tela
foi descoberta e aberta ao público
registrada em documentário
exibida em salas de projeção
ou projetada em salas de exibição?
mas há quem duvide se é vida
É ou não é, será a questão?
Nada mais é e nunca foi
Tudo agora é o que se quer
Pode ser o não-ser sonso
Supérflutuante alienígena alado
O ambiente é virtual
Jogo de mimeses
artida ou vidarte ?
se inventa, arte
se reinventa, vida
se registra, foto
se edita, filme
se cena, cinema
se lota, sucesso
se ibope, tevê
se pára, anuncia
se vende, venceu
onde está a menina?
(Júlia Machado)
Thursday, February 22, 2007
Wednesday, June 28, 2006
La Phalange, revista fourierista, 1845
“A arte, expressão da Sociedade,
exprime, em seu vôo mais elevado,
as tendências sociais mais avançadas;
ela é precursora e reveladora.
Ora, para saber se a arte cumpre dignamente seu papel de iniciadora,
se o artista é mesmo de vanguarda,
é necessário saber
para onde vai a Humanidade, qual é o destino da Espécie”
Saturday, June 10, 2006
Mais tempo para Poesia?
Júlia Machado
De frente para a parede
Cara tapada
Olhos fechados
1...2...3...4...
Fico aí contando tempo para Poesia se esconder.
Epa!
Me toco que estou de bobeira na brincadeira
De repente me dou conta e me dá medo
Será que ainda encontro Poesia?
Ela,
que caminha por caminhos impossíveis
Eu,
que ando sempre no mais possível possível
E agora, que não acho?
Fico nesse passo marcado
Previsível a procura do invisível
Ela sempre na pontuação
Vírgula, exclamação, continuação...
Talvez silêncio
Talvez suspiro
Talvez descanso
Talvez o talvez do desvio
Eu, sempre na palavra
Não rascunho
não rabisco
não arrisco
Não nada nunca além do mesmo
Cumprindo o encomendado
Delimitando o definitivo
Laudas perdidas
Tempo contado n
Friday, May 12, 2006
Júlia Machado
emcimadomeupescoço
plantaram uma cabeça
e desde que me lembro
ela pensaque memanda.
Por onde quer que ande
Debruçada com seus planos
Pesa sobre meus passos
Piro, despisto
a caminho de fugir
Ela vigia e segue séria
Já pensei, que tal esquecê-la?
Mas, não deixa, não me deixa.
Um dia desses disse firme
Se manca e dá o fora!
E Ela nem deu bola.
Vê se me dá um descanso
Deixa-me andar sem destino.
Tenho direito de ser torta
e ficar do avesso, por vezes.
Em silêncio me ouve
Me observa, no fundo sabe
que de tudo, nada lhe escapa
Fico confusa com minhas palavras
E Ela só de olho
Madura, plantada sobre meu pescoço.
plantaram uma cabeça
e desde que me lembro
ela pensaque memanda.
Por onde quer que ande
Debruçada com seus planos
Pesa sobre meus passos
Piro, despisto
a caminho de fugir
Ela vigia e segue séria
Já pensei, que tal esquecê-la?
Mas, não deixa, não me deixa.
Um dia desses disse firme
Se manca e dá o fora!
E Ela nem deu bola.
Vê se me dá um descanso
Deixa-me andar sem destino.
Tenho direito de ser torta
e ficar do avesso, por vezes.
Em silêncio me ouve
Me observa, no fundo sabe
que de tudo, nada lhe escapa
Fico confusa com minhas palavras
E Ela só de olho
Madura, plantada sobre meu pescoço.
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